Entrevista — perguntas e respostas
19 perguntas prováveis agrupadas por tema, com respostas-modelo de 60 a 90 segundos. Treinar em voz alta com cronômetro a partir de 03/06.
Regra geral: resposta direta no primeiro segundo, depois sustenta o argumento com um dado, uma referência ou um exemplo concreto. Nunca improvisar.
Bloco A · Sobre a pesquisa
1. Por que esse tema é importante agora?
Resposta-modelo: Porque três marcos coincidem em uma janela de dois anos. Primeiro, a Lei 14.945/2024 reposicionou o itinerário técnico-profissional no centro do ensino médio. Segundo, o PNE 2024–2034 fixou meta sem precedentes de expansão da EPT. Terceiro, as transições estruturais — IA, descarbonização, envelhecimento — estão redefinindo a demanda por qualificações em velocidade inédita. Não estudar agora a articulação entre essas três frentes é deixar o Brasil expandir uma EPT sem direcionamento estratégico.
2. Qual é exatamente o seu objeto de pesquisa?
Resposta-modelo: O objeto é a política pública nacional brasileira de EPT, especificamente os instrumentos institucionais — ou a ausência deles — para antecipar a demanda por qualificações em horizonte de longo prazo. Não é a minha experiência pessoal; ela é apenas porta de entrada analítica. O recorte de análise são os instrumentos formais, o desenho federativo, e a comparação com modelos internacionais consolidados de skills anticipation.
3. Como você definiu o recorte?
Resposta-modelo: Pelo critério de viabilidade em 24 meses, sem perda de relevância. Optei por dois países comparados em vez de quatro, três fontes quantitativas em vez de seis, e foco analítico na transição digital, tratando as transições energética e demográfica como pano de fundo estrutural. Esse recorte tem custo de profundidade, não de relevância — quero entregar uma pesquisa sólida, não uma proposta inflada.
4. Por que Alemanha e Coreia do Sul?
Resposta-modelo: Por três critérios. Tradição institucional — ambos têm sistemas consolidados de antecipação de qualificações. Disponibilidade documental — abundante em inglês, publicações da OCDE e dos órgãos nacionais. Contraste analítico — Alemanha representa o modelo dual europeu de longa tradição corporativista; Coreia, o modelo asiático estatal-desenvolvimentista mais recente. Cada um oferece um espelho diferente para o Brasil. Cingapura e Países Baixos seriam interessantes mas sairiam do escopo viável.
5. Por que a transição digital é prioridade analítica e não as outras duas?
Resposta-modelo: Por dois motivos. Primeiro, velocidade de mudança — a transição digital, especialmente com IA generativa, opera em ciclos de meses, enquanto a energética opera em anos e a demográfica em décadas. Segundo, robustez empírica — temos hoje mais dados disponíveis sobre impacto da automação no emprego do que sobre as outras duas transições no Brasil. Não significa abandonar as outras; significa não diluir a pesquisa.
6. Você pretende usar dados quantitativos. Tem familiaridade com isso?
Resposta-modelo: Sim, mas com limites claros. Tenho MBA em Análise de Dados e Processamento de Linguagem Natural pela Anhanguera, concluído em agosto de 2025. A análise quantitativa que proponho é exploratória, em fontes públicas — Sistec, Censo Escolar e RAIS — sem pretensão econométrica. O objetivo é evidenciar deslocamentos ocupacionais e desencontros entre oferta formativa e demanda. Onde houver necessidade de método mais sofisticado, buscarei orientação de docentes do programa.
7. Como pretende acessar os entrevistados?
Resposta-modelo: Combinando três caminhos. Primeiro, pela rede institucional do SENAI — sou docente CLT no SENAI-SC, com vivência anterior no SENAI-SP. Isso me dá acesso a colegas no Departamento Nacional. Segundo, via FGV — coordenadores do MPGPP têm contatos institucionais que podem abrir portas. Terceiro, pela minha rede como desenvolvedor de sistemas para prefeituras — tenho diálogo com gestores municipais nas áreas de Cultura e Turismo, o que abre vias para gestores estaduais por adjacência.
8. O escopo não é amplo demais para 24 meses?
Resposta-modelo: Reconheço o risco e por isso fiz três restrições explícitas: dois países comparados em vez de quatro, três fontes quantitativas com tratamento exploratório, e foco analítico na transição digital. A própria carta marca que haverá refinamento metodológico na fase de qualificação. Se a banca avaliar que ainda é amplo, estou aberto a restringir mais — eventualmente para um caso de país e um setor produtivo. O objeto continua de pé mesmo com escopo menor.
Bloco B · Sobre minha trajetória
9. Conte sua história em 2 minutos.
Resposta-modelo: Sou Felipe, engenheiro de software com 18 anos no setor produtivo. Comecei como desenvolvedor autônomo aos 15, formalizei como ADS pela UNINTER em 2021 e fiz três MBAs depois: engenharia de software, gestão de projetos em TI e análise de dados com PLN. Em 2022 entrei no SENAI-SP como instrutor de Desenvolvimento de Sistemas. Em paralelo, fundei a FSDEV Softwares, hoje presta serviço para a Paipe no RS e desenvolve sistemas para prefeituras nas áreas de Cultura e Turismo — entre eles a Gestão Pública Pro. Saí do SENAI-SP em outubro de 2025 e em maio de 2026 voltei ao Sistema S, agora no SENAI-SC, como Mentor Educacional de TI com foco em mobile e projetos. Essa tríplice inserção — setor produtivo, EPT e Estado municipal — é o que me trouxe ao MPGPP.
10. Por que sair do mercado de TI privado para fazer um mestrado em política pública?
Resposta-modelo: Não vou sair — vou ampliar o repertório. Continuo na FSDEV e no SENAI-SC. A escolha pelo mestrado é porque, depois de 18 anos no setor produtivo e três anos como docente em EPT, percebo que as decisões que mais impactam o trabalho que faço — desenho de cursos, alocação de vagas, financiamento de bolsas, articulação com setor produtivo — são decisões de política pública. Quero ter repertório analítico para participar dessas decisões com qualidade, não só executar.
11. Você não tem formação prévia em ciências sociais. Como pretende lidar com isso?
Resposta-modelo: Reconheço como o principal risco da minha candidatura e me preparei para isso. Já comecei a leitura de Saviani, Frigotto e Kuenzer. Sei que a curva inicial será intensa em ciência política e sociologia. Em compensação, trago três ativos. Primeiro, capacidade analítica formada em engenharia e em três MBAs. Segundo, vivência prática direta no objeto da pesquisa. Terceiro, disposição para escolher recortes cautelosos para garantir entrega. A formação interdisciplinar do MPGPP é justamente o que precisa ser construído na minha trajetória.
12. Sua atuação no SENAI-SC é recente. Como justifica para um programa que pede docente em exercício?
Resposta-modelo: Estou em exercício, com vínculo CLT vigente. O fato de o vínculo ser recente não enfraquece a candidatura, pelo contrário: tenho continuidade com a docência em EPT desde dezembro de 2022, com pouco mais de seis meses de intervalo entre SENAI-SP e SENAI-SC, intervalo dedicado a consolidar a FSDEV. Em três anos e meio acumulei docência, mobilização tecnológica, desenvolvimento de sistemas pedagógicos e formação de competidores. É uma trajetória continuada na EPT, com inserção em dois departamentos regionais do SENAI.
13. Fale da Gestão Pública Pro. Como ela se conecta ao seu tema?
Resposta-modelo: A Gestão Pública Pro é uma plataforma que desenvolvo pela FSDEV para gestão de políticas culturais e de turismo municipais — hoje em uso em administrações brasileiras. A conexão com o tema é menos direta e mais estrutural: ela me coloca na interseção entre Estado e tecnologia, exatamente a interseção que minha pesquisa quer estudar no campo da EPT. Tenho experiência prática em como o Estado adota — ou resiste — a sistemas digitais. Esse repertório é útil para entender por que dispositivos de antecipação de qualificações não chegam até as escolas.
Bloco C · Sobre o pós-mestrado
14. O programa quer formar lideranças. Que liderança você pretende exercer?
Resposta-modelo: Liderança técnica em projetos que articulem rede de ensino, setor produtivo e Estado. Concretamente, vejo três frentes possíveis: assessoria técnica em departamentos regionais do Sistema S para desenho de itinerários, contribuição em órgãos do MEC ou de secretarias estaduais para formulação de políticas de EPT em TI, e participação em organizações como a Fundação Itaú Educação e Trabalho no desenvolvimento de pesquisas aplicadas. O mestrado é o que me prepara para essas posições.
15. Onde você se vê em 5 anos?
Resposta-modelo: Atuando profissionalmente em uma das três frentes que mencionei, com a dissertação publicada e idealmente convertida em produto técnico aplicável — uma proposta de instrumento de antecipação, um relatório de recomendações de política, ou software para gestão de skills mismatch. Mantenho a FSDEV e a docência como base, mas concentrando esforço analítico na ponte entre EPT e política pública.
16. Como pretende devolver à sociedade o investimento feito pela Fundação Itaú e pela FGV?
Resposta-modelo: De três formas. Primeiro, com a dissertação como bem público — publicação aberta e tradução em produtos acessíveis a gestores. Segundo, com aplicação imediata no meu trabalho como Mentor Educacional de TI no SENAI-SC e como desenvolvedor para o setor público municipal. Terceiro, com disposição para participar das atividades de difusão da Fundação Itaú Educação e Trabalho durante e depois do mestrado — eventos, pesquisas, formação de outros profissionais da EPT.
Bloco D · Sobre o programa
17. Por que MPGPP e não outro mestrado em educação?
Resposta-modelo: Porque meu objeto é de política pública, não de pedagogia. Programas em educação tratariam o tema sob o ângulo do trabalho docente, do currículo ou da aprendizagem. Meu interesse é o ângulo da gestão pública: instrumentos institucionais, financiamento, governança federativa, indicadores. As disciplinas obrigatórias do MPGPP — gestão pública, economia política, ciência política, políticas públicas — são exatamente o que o objeto pede.
18. Você conhece a Fundação Itaú Educação e Trabalho? Como dialoga com sua pesquisa?
Resposta-modelo: Conheço como organização da Itaú Social dedicada ao fortalecimento, à expansão qualificada e à formação de lideranças para a EPT brasileira. Atua em pesquisa, desenvolvimento e implementação de políticas. Minha pesquisa dialoga diretamente: o "fortalecimento qualificado" e a "antecipação de demandas" que a Fundação persegue são exatamente o problema que pretendo investigar, com aplicação prática em recomendações de política. Há aderência de missão e de método.
19. Tem disponibilidade para as aulas em São Paulo e Zoom durante 24 meses?
Resposta-modelo: Sim. Estou em Valinhos, a uma hora de São Paulo. O vínculo no SENAI-SC é com flexibilidade para conciliação acadêmica. A FSDEV opera 100% remota, o que dá flexibilidade adicional. Já tenho o cronograma do programa mapeado e os bloqueios necessários previstos.
Resposta-padrão para "ponto fraco / risco"
"O risco principal da minha trajetória, para este programa, é não ter formação prévia em ciências sociais e políticas públicas. Reconheço isso e estou preparado para uma curva intensa de leitura. Em compensação, trago três coisas que considero ativos: experiência prática direta no objeto da pesquisa, capacidade analítica formada em engenharia e em três MBAs, e a disposição para escolher um recorte cauteloso para garantir entrega no prazo."
Treino — protocolo recomendado
- Escolher 3 perguntas por sessão.
- Responder em voz alta, com cronômetro (60–90 s).
- Gravar com celular e ouvir — identificar repetições e tiques.
- Refazer ajustando até a resposta fluir naturalmente.
- Repetir até dominar as 19 perguntas — meta: 2 sessões por semana entre 03/06 e 28/06.