Dados e instituições da EPT brasileira

O "quem é quem" e os números citáveis: a cadeia normativa (o objeto vivo da sua tese), quem oferta a EPT, as fontes de dados e as três transições em números — tudo verificado, com a fonte. Cite com o ano de referência.

★ Cadeia normativa — o objeto da sua tese

Recite de cor: LDB → Lei 14.645/2023 (mandato: criar a Política Nacional de EPT) → Decreto 11.985/2024 (Grupo de Trabalho Interinstitucional) → Decreto 12.603/2025, de 28/08/2025 (institui a PNEPT e cria o Sinaept, Sistema Nacional de Avaliação da EPT). Em paralelo: Lei 14.945/2024 (Novo Ensino Médio) e Lei 15.388/2026 (novo PNE 2026–2036). Dominar essa linha compensa a origem em engenharia.

PNEPT — a Política Nacional de EPT (Decreto 12.603/2025) — o coração da tese

Primeira política nacional a tentar dar unidade a um sistema fragmentado (Rede Federal + redes estaduais + Sistema S + privadas). Eixos: coordenação transversal, expansão da oferta e melhoria da qualidade com alinhamento da oferta às demandas do mundo do trabalho. Criou o Sinaept.

Sua pergunta afiada: "a PNEPT (2025) promete alinhar oferta e demanda; institucionaliza antecipação — prospecção e indicadores de demanda futura — ou só coordenação/alinhamento reativo? É a diferença entre a Alemanha/Coreia e o Brasil." O Novos Caminhos (Setec/MEC) foi o antecedente que já tentava alinhar oferta à demanda — sua tese avalia se a PNEPT avança do alinhamento para a antecipação.

Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) e o novo PNE (Meta 12)

Quem oferta a EPT (o ecossistema)

Sistema S — o maior executor, fora do comando do MEC

Entidades paraestatais (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SEBRAE, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP): direito privado, financiadas por contribuição parafiscal compulsória sobre a folha, com ampla autonomia (regulamentos próprios) mas dever de prestar contas ao TCU. Governança patronal (CNI, CNC).

Como usar: o principal executor de EPT opera fora do comando direto do MEC — logo, antecipar demanda exige arranjos federativos e coordenação (não comando hierárquico). Conecta direto ao seu eixo de governança.

★ SENAI Mapa do Trabalho Industrial — a antecipação que já existe (mas é privada)

O Observatório Nacional da Indústria publica o Mapa do Trabalho Industrial — estudo prospectivo por ocupação (CBO), setor (CNAE) e município, usando RAIS + projeções macro. A edição 2025–2027 estima 14 milhões de trabalhadores a qualificar (~2,2 mi formação inicial + 11,8 mi requalificação). É a lógica exata de skills anticipation.

Seu argumento-ponte: "o SENAI já faz antecipação com RAIS + projeção macro — mas é privada e só industrial; minha pergunta é se a política pública de EPT tem instrumento equivalente e federativo." O Acordo de Gratuidade (2008) — SENAI/SENAC destinam 2/3 da receita compulsória a vagas gratuitas — é um "contrato" já existente que você pode propor vincular a prioridades de antecipação.

Rede Federal e redes estaduais — onde está a EPT pública
PRONATEC — o contraexemplo (escala sem antecipação = mismatch)

Programa de 2011 que massificou vagas comprando oferta do Sistema S e privadas: ~8,1 milhões de matrículas (2011–2014), majoritariamente FIC (cursos curtos). Críticas: oferta puxada pela capacidade instalada dos ofertantes (não pela demanda local), evasão que chegou a ~70% em parte da oferta, e concentração de recursos no Sistema S (~70% das matrículas em 2013).

Seu argumento-âncora: "o PRONATEC provou que escala sem antecipação gera mismatch e evasão; minha tese pergunta se a arquitetura atual (PNEPT, novo PNE, Lei 14.945) corrige isso com governança e indicadores de demanda — ou repete a lógica de comprar vagas."

Fontes de dados (seu kit — e os limites de cada uma)

FonteO que temLimite para antecipação
Censo Escolar (INEP)Matrículas da EPT básica. 2024: 2.575.293 (1,57 mi públicas), recorde. EM em EPT: 17,2% (2024).Mede estoque de matrículas (oferta realizada), não demanda futura nem inserção.
Sistec (MEC)Cursos técnicos/FIC, matrículas, certificados com validade nacional; base da gratuidade.Problemas de completude e interoperabilidade; diverge do Censo. (Vem o "Novo Sistec".)
RAIS / Novo CAGED (MTE/PDET)Emprego formal por CBO/CNAE/município. RAIS = estoque (anual); CAGED = fluxo (mensal).Só o mercado formal — invisibiliza a informalidade (enorme no Brasil).
PNAD Contínua (IBGE)População toda (formal + informal), demanda social por qualificação, módulo de educação profissional.Amostral; participação de adultos em qualificação é baixa (poucos %).

Frase de consciência metodológica: "o Censo/Sistec dão a oferta realizada; RAIS/CAGED dão a demanda formal; a PNAD vê a informalidade. Antecipar exige cruzar as três — e nenhuma, sozinha, projeta o futuro." O monitoramento do PNE (Observatório do PNE + Painel do INEP) mede resultado (matrículas), não antecipação — daí propor indicadores de alinhamento oferta-demanda no novo painel.

As três transições em números (Brasil)

Transição digital / IA — o foco privilegiado

Cuidado metodológico (impressiona a banca): os números variam pelo método, não pelo país. "Por ocupação inteira" (Frey e Osborne) superestima; "por tarefa" (OCDE) é menor. Não atribua o "60%" à OCDE — é do IPEA.

Tese em uma frase: na AL a IA tende a aumentar, não substituir — mas o ganho só chega a quem tem competência digital. Antecipar qualificações = letramento digital + requalificar para trabalhar com IA.

Transição verde / energética

Transição demográfica / envelhecimento (IBGE, Projeções 2024)

O fecho que une as três transições: com a população em idade ativa encolhendo a partir de 2033 e a dependência de idosos subindo, o ganho de produtividade via qualificação sustenta o crescimento. E o mesmo trabalhador é afetado pelas três: precisa se requalificar pela IA, é mais velho (demografia) e tem baixa competência digital (Cetic). A EPT precisa virar educação ao longo da vida — e a política ainda não trata isso como corrida contra o relógio.